quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Systematic Chaos (Dream Theater)

Hoje, farei resenhas de dois dos maiores ícones do metal progressivo: Dream Theater e Symphony X. Ambos lançaram álbuns no meio deste ano, e já que os fãs das duas bandas criaram uma certa rivalidade entre elas, seria interessante comparar os dois álbuns, embora eu ache que seja uma luta desleal. Mas vamos lá. Começarei pelo álbum do Dream Theater, Systematic Chaos.


A capa do novo álbum representa muito bem a tendência que o Dream Theater tem seguido nos últimos anos: a tendência para o lado moderno do heavy metal. Se o black metal é o lado negro da força, o metalcore, o new metal e todas as suas vertentes são o lado incolor. O estilo que associa o progressivo à música pesada, praticamente criado pela própria banda, e que encontrou seu ápice no clássico álbum conceitual Metropolis Pt. II: Scenes From a Memory, começou a tomar outros rumos, desde o Six Degrees of Inner Turbulence. Mesmo contendo no CD2 uma única música de 42 minutos divida em várias partes, algo que todo fã xiita de qualquer banda progressiva adora, o álbum recebeu muitas críticas pela mudança no estilo, visível nas músicas do CD1. As músicas estavam muito mais pesadas, com algumas influências de música eletrônica e do grande terror dos fãs de heavy metal do mundo inteiro: o new metal. Mas isso era só o começo. Os fãs que haviam prestado suas críticas ao Six Degrees passaram a retaliar a banda pelo álbum que viria depois.

O Train of Thought apresentava toques tão modernos que a banda não foi sequer condenada por ter "influências" de bandas de new metal, mas por ter se tornado uma delas. As mesmas acusações que haviam sido feitas à banda por tentar tornar o som comercial em 1997, quando fora lançado o Falling Into Infinity, com músicas muito mais melosas - melosas, e não melódicas - e radiofônicas que as apresentadas nos álbuns anteriores, foram feitas com este novo lançamento. O uso de guitarras em afinações baixas, o abuso do uso de timbre pesado em todos os instrumentos, os vocais extremamente rappeados, tudo isso foi o
suficiente para que os fãs mais radicais da banda odiassem o novo álbum, o que continuam fazendo até hoje.

Em 2005, foi lançado o Octavarium. A modernização do som da banda sofreu um certo declínio no novo lançamento. Muitos dos pontos criticados no álbum anterior não estiveram presentes neste, provavelmente uma reação da banda à má reação dos fãs. Há quem diga que, na verdade, a questão da modernização da banda é uma exigência da gravadora. Na minha opinião, se isso for verdade, só serve pra mostrar que o Dream Theater é uma banda de apadrinhados. E se a minha opinião estiver correta, o Systematic Chaos é apenas mais um presente de casamento à Roadrunner Records. Ou talvez seja um presentinho de boas vindas, já que o contrato com essa nova gravadora foi feito esse ano.

O álbum não poderia estar de forma alguma abaixo das minhas expectativas, sendo que falando-se no Dream Theater, elas já eram quase nulas. Mas sempre é gostoso dar tapa em quem dá a cara pra bater.
Para não cair na mesmice de dizer que o SC segue uma tendência new metal - e talvez até uma certa tendência anti-criativa - vou falar sobre o álbum música por música, embora eu seja suspeito para fazer isso, já que não agüentei ouvir todas mais de uma vez. Mas que seja, a cara esta lá, que o tapa seja dado. Tentarei ser breve nas piores músicas, quando na verdade elas é que deveriam ser breves, para reduzir os momentos ruins proporcionados a nossos ouvidos.
  1. In the Presence Of Enemies Pt. I - é sempre bom ter pelo menos duas ou três músicas para se falar bem em um álbum, serve como descanso pra vista. João Petrúquio e Cia., provavelmente prevendo isso, lançaram esta ótima introdução, sendo que ela emenda com o fim do álbum. A música contém 9 minutos, sendo que sua introdução ocupa mais da metade da música, o que me fez, por um momento, achar que a música era inteiramente instrumental. E à partir do 5º minuto, onde LaBrie finalmente aparece, fiquei em séria dúvida do porque não a terem feito inteiramente instrumental.
  2. Forsaken - me lembrou muito as piores músicas do Evanescence.
  3. Constant Motion - momento do CD em que LaBrie tentou mostrar um vocal a la James Hetfield. Pena que nem em seus estados mais porres James admiraria tal homenagem.
  4. The Dark Eternal Night - esta foi uma das músicas mais controversas do CD. Apesar de conter influências extremamente fortes de metalcore nos vocais gritados ao máximo e de ser também não só a música mais pesada do CD, mas talvez a mais pesada da história do Dream Theater, a música tem algumas idéias que me agradaram bastante, a começar pelos riffs matadores na guitarra de 7 cordas, como tem sido feito desde a clássica The Mirror. Os vocais gritados, por mais estranhos que possam soar em certos momentos, não chegam a destoar do clima da música. O solo também contém partes muito boas, embora alguns trechos ainda lembrem muito as partes instrumentais de The Glass Prison e This Dying Soul, as primeiras músicas da saga de Mike Papudinho. Mas essa música, como pode estar parecendo, não é a continuação da saga pinguça. Na verdade, a música seguinte, que é a continuação da saga pinguça, a meu ver, é a verdadeira pior música do CD.
  5. Repentance - esta música de quase 11 minutos é uma das piores músicas que o Dream Theater compôs nos últimos 11 anos, e digo nos últimos 11 anos para incluir até o Falling Into Infinity. A música começa com os 5 minutos mais longos que já vivi em toda minha vida. Dedilhados fracos harmonicamente e melodicamente, e não apenas isso; dedilhados baseados na mesma harmonia das músicas anteriores da saga pinguça. Preguiça, falta de criatividade, apadrinhamento? Acho difícil ser a última opção, pois a música é ruim para padrões comerciais, residenciais, industriais ou quaisquer que sejam. Depois que passam os 5 minutos? Um pequeno solo de guitarra. Quando penso que a música começará a melhorar ao menos um pouco, vem uma parte cheia de diálogos paralelos, com o mesmo dedilhado pífio como fundo. E é aí que sou obrigado a perguntar a quem estiver lendo como termina a música, pois ao chegar nessa parte, joguei meu fone no chão e não sei se há chances de recuperá-lo.
  6. Prophets of War - outra música extremamente controversa do CD, onde há uma fusão de heavy metal com música eletrônica. Não é a mesma fusão que a maioria das bandas de metal industrial têm feito atualmente; é uma fusão mais para o lado da música eletrônica. Tem uma das melodias mais estranhas do CD, e o resultado final foi um dos experimentos mais grotescos já feitos pela banda. Mas gostei do final da música. Dois motivos. Primeiro, porque Petrucci faz um barulho bem inteligente para concluí-la, provavelmente através de um mal contato provocado entre o cabo e o amplificador. Segundo, porque é a hora em que acaba a música.
  7. The Ministry of Lost Souls - a música tem cerca de 15 minutos, e, infelizmente, é tão entediante que não consigo ouví-la com atenção suficiente para comentar algo sobre.
  8. In The Presence of Enemies Pt. II - seqüência da primeira música do álbum, a música tem alguns momentos muito bons, e, no geral, é uma música boa, mas não consigo classificá-la como algo além disto. Tem cerca de 16 minutos e meio.

Como o álbum é fraco demais para receber mais linhas de comentário do que já recebeu, detenho-me aqui, antes que encontre algo pior para falar. E já que levei tempo demais na resenha deste primeiro álbum, deixarei o Paradise Lost para mais tarde.

See you later!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Immortal (Shaman)

Este blog trará resenhas, matérias e toda sorte de informações sobre o rock e o heavy metal nacional e internacional. Em alguns momentos, farei também resenhas sobre álbuns ou sobre bandas que, mesmo antigas, tornaram-se imortais.

E por falar em imortais, começarei falando de um dos álbuns mais esperados do metal brasileiro para este ano de 2007.


O Shaman, antes de ter esta formação de agora, sempre foi considerado por muitos como o "resto do Angra", enquanto para outros era "o que prestava da banda". Em 99, quando ocorreu a separação, pairou no ar a dúvida de quem era a verdadeira alma da banda. Essa dúvida se intensificou depois que surgiram duas grandes notícias. A primeira era que três ex-integrantes - entre eles, o tão elogiado frontman de gogó privilegiado - estavam formando uma nova banda. A segunda era que o próprio Angra estava retornando ao cenário do metal melódico brasileiro, com seus dois guitarristas originais e recheado de caras novas.

O que dizer, então, quando o próprio divisor de opiniões se divide? Na verdade, dizer que a banda se dividiu é pouco. O vocalista André Matos, como é de praxe, saiu da banda levando mais dois membros consigo, deixando o baterista Ricardo Confessori sozinho neste mundo tenebroso. O fim da banda é anunciado pelo próprio baterista, no segundo semestre de 2006.

Os direitos do nome da banda ficam a mando de Ricardo, nome este que volta a ser Shaman, com apenas um A. O baterista, então, cumpre o mesmo papel que Kiko e Rafael haviam desempenhado sete anos atrás: corre atrás de novos membros para seguir em frente com a banda que agora estava sob seu governo. São chamados para a banda três novos membros: o vocalista Thiago Bianchi, ex-Karma; o guitarrista Léo Mancini, ex-Tempestt; e o baixista novato Fernando Quesada.

No primeiro semestre de 2007, foi lançado o single One Life, como uma prévia do que estava por vir. O single trouxe esperança a todos aqueles que não esperavam mais nada da banda, após a saída de seu integrante mais carismático. Era uma demonstração clara do retorno ao estilo melódico com um toque
xamânico (perdoem-me se usei a palavra errada), estilo esse que a banda não havia apresentado em seu último cd, o Reason.

Mas single nenhum poderia ter preparado os antigos fãs do Shaman - e até mesmo muitos dos que NÃO gostavam do Shaman - para o que viria no álbum
Immortal. O álbum não apenas é um retorno ao estilo difundido pela banda nos seus primórdios (por mais recentes que esses primórdios sejam). É uma versão melhorada de tudo o que a banda já fez de bom pelos exigentes ouvidos dos headbangers verde-amarelos.

Além de conter, como já foi dito, linhas melódicas, pesadas e
xamânicas, o novo Shaman traz um vocalista que não apenas teve êxito na tarefa de agradar as viúvas do sr. André Matos, mas também fez o que poucos outros teriam conseguido. Tal qual o carismático personagem dos videogames KIRBY, Thiago Bianchi conseguiu engolir características de dois dos vocalistas mais comparados do território brasileiro: Edu Falaschi, do Angra, e André Matos, agora em carreira solo. Embora tenha pecado em algumas apresentações recentes no palco, o vocalista soube matar dois coelhos com uma cajadada tão precisa que sequer deixou vestígios.

Dois outros membros da banda merecem destaque. Léo Mancini executou dois papéis importantíssimos neste projeto: o de compôr a grande maioria das músicas e o de cumprir o seu papel na guitarra duma forma que o inexperiente Hugo Mariutti jamais seria capaz.
O outro membro é o próprio Ricardo Confessori. Ricardo passou por um processo de evolução que mesmo a Terra em um bilhão de anos não teria passado. Sua contribuição para a qualidade rítmica do cd é indiscutível.

Finalizo deixando aqui minha nota de parabéns a Ricardo Confessori. Passando por uma situação difícil, com separações entre membros de banda e com outras questões emocionais, diretas ou indiretas, Confessori mostrou conseguir fazer o que Angra não conseguiu em Aurora Consurgens, o que Metallica não conseguiu em St. Anger, o que Iron Maiden não conseguiu em Virtual XI; fazer o que sabe fazer, independente do contexto. Este com certeza foi um dos melhores lançamentos de 2007, e não apenas isso; este foi o melhor trabalho da carreira de Confessori como baterista. Melhor que Ritual, que Reason, e talvez até que Fireworks e Holy Land. Confessori, com seu nome definitivamente, merecidamente e finalmente marcado no Hall da Fama do heavy metal brasileiro, trouxe a todos os ouvintes de metal melódico da nação brasileira o mesmo orgulho que os irmãos Young trouxeram à Austrália e ao mundo em 1980, após a morte de seu tão querido vocalista Bon Scott.

O orgulho de ouvir
whatever rocks.



Shaman - In The Dark